domingo, 5 de fevereiro de 2012

O menor quórum da Confraria, com muita arte


A notícia era a de que a instalação "Máximo Silêncio em Paris" do italiano Giancarlo Neri estava em seu último final de semana na Praça Paris no Rio de Janeiro. Uma iniciativa louvável dos organizadores que situaram no mapa a vida vespertina na talvez mais bela praça da cidade que, quando quer, sabe ser de fato maravilhosa. Um previsível enxame de visitantes seria o palco do então primeiro roteiro artístico para o outro enxame das já familiares italianinhas da fumaça azul num interessante passeio noturno. O porém ficou por conta do agendamento de véspera que atrapalhou-se com o convite em cima da hora e a insegurança de como estaria o tradicional ponto de encontro no Baixo Gávea em época de blocos de carnaval.

Entre e-mails e telefonemas, três confrades toparam o circuito: Leo Dueñas "Presidente" com sua namorada Rafaela, Otto JR e Sergio "Professor" Motta. O roteiro era artístico, não haveria de ser de outro jeito, Otto estava saindo de sua atuação na peça "A Mecânica das Borboletas" no CCBB e Sergio de assistir um musical na Praça Tiradentes. Tudo no centro, uma cronometragem bem afiada, até o musical atrasar uma hora por problemas técnicos e privar os restantes da cia do Professor. Firmes e fortes acelerando no Aterro seguiram Leo e Rafaela ao encontro de Otto, no momento mais que charmoso quando os atores deixam o teatro. Ele apresentou as novas rodas verdes pintadas por ele próprio de sua Vespa, combinação vibrante replicada de uma bicicleta.


A Praça Paris recebeu o grupo em um momento de glória, pois o espaço estava em mãos de centenas de jovens casais, famílias inteiras e turistas; num horário geralmente apoderado apenas pelo submundo. De tão lotado o local não foi possível localizar o dono da Vespa LX que estava estacionada ao lado do portão principal, ficou o registro fotográfico mas faltou o contato com um novo potencial confrade. Cientes do estorvo que Vespas em meio a calçada representava para alguns transeuntes, deslocaram-se para um portão lateral, que resultou em mais algumas belas imagens.




Que venham novos roteiros noturnos temperados com um quê de cultura para as Vespas e Lambrettas da Confraria! Uma salva de palmas aos que retomaram com arte um espaço público até então vedado ao povo, registrando a expectativa de continuidade, pois o que é meramente pontual só faz aumentar a frustração dos que amam viver o Rio em sua plenitude, sem fonteiras de qualquer espécie.


[Foto: Leonardo Dueñas]

Nenhum comentário: